'Falsa morte' de mulher que acordou em necrotério pode durar meses

'Falsa morte' de mulher que acordou em necrotério pode durar meses

Chamada de catalepsia, condição leva à perda de sinais vitais; é possível despertar naturalmente ou com remédio, mas não com beliscão Catalepsia impede a pessoa de se mover e pode se parecer com a

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Chamada de catalepsia, condição leva à perda de sinais vitais; é possível despertar naturalmente ou com remédio, mas não com beliscão


Catalepsia impede a pessoa de se mover e pode se parecer com a morte



A "falsa morte", também chamada de "morte aparente", pode durar minutos e até meses. Há registro de até dois meses na literatura médica, segundo o especialista em reanimação cardíaca Daniel Munhoz, que é cardiologista e professor da Unicamp.



No caso recente da mulher dada como morta em acidente de carro e encontrada viva dentro de uma geladeira de necrotério em Joanesburgo, na África do Sul, a "falsa morte" durou "apenas" algumas horas.



Chamada de catalepsia, essa condição leva à diminuição do ritmo cardíaco e, portanto, da pressão arterial, dificultando a percepção dos sinais vitais.



De acordo com o psiquiatra Luiz Scocca, da Associação Brasileira de Psiquiatria, a diminuição dos sinais vitais ocorre como no sono, de maneira basal, com redução do funcionamento do metabolismo. A condição impede que a pessoa se movimente.



Munhoz afirma que há quem permaneça consciente durante a experiência. Segundo ele, existe registro de pacientes que relataram ter visto e escutado pessoas ao redor. Apesar da diminuição de sensibilidade - a pessoa não responde a agulhas e beliscões, por exemplo -, os reflexos básicos do cérebro são mantidos, podendo ser testados.




Uma pessoa pode despertar da catalepsia naturalmente ou por meio de medicamento. Algumas apresentam esquecimento total do momento, outras apresentam lembranças esparças. Se houver reincidência, o médico explica que é necessária uma investigação médica para diagnóstico do que estaria causando a condição.



Ele ressalta que a catalepsia é muito rara e que, provavelmente, houve um equívoco ou falha no protocolo médico no caso da mulher de Joanesburgo.



Segundo ele, os principais critérios que atestam a morte são: a checagem de pulso, alterações na pupila e reflexos córneo-palpebral, exame que consiste em colocar um pedaço de algodão seco na superfície dos olhos do paciente, que deve contrair a pálpebra como resposta. Também é checado o pulso central, verificado no pescoço. Porém, a morte é apenas declarada com a ausência da atividade cerebral, mesmo que o coração continue funcionando. Para isso, são realizados exames que verificam a permanência de funcionamento desse órgão.



O psquiatra explica que a catalepsia pode estar vinculada a distúrbios psiquiátricos, como estupor dissociativo, uma resposta aguda ao estresse que impossibilita a pessoa de realizar movimentos voluntários ou responder a estímulos, ou doenças neurológicas, como sintoma do mal de Parkinson, e até mesmo um estado pós-epilético.




Segundo ele, a condição pode estar ainda relacionada à esquizofrenia catatônica, caso em que o paciente não responde a estímulos, se tornando quase imóvel. Apesar de parecidas, a catalepsia e a esquizofrenia catatônica são condições diferentes, mas ambas podem ser chamadas de “falsa morte” ou “morte aparente”.



A falta de resposta a estímulos do estado catatônico pode ser motivada também por acontecimentos, sendo chamada de “estado de choque”, sendo mais comum em pacientes com distúrbios psiquiátricos.










fonte: https://noticias.r7.com/saude/falsa-morte-de-mulher-que-acordou-em-necroterio-pode-durar-meses-04072018